A APMG realizou, com o apoio da WMO (World Meteorological Organization) e da UNCCD (United Nations Convention to Combat Desertification), no dia 16 de Novembro de 2012 uma Workshop (WS), subordinada ao tema Drought in a Changing Climate – An Overview, no auditório do IPMA, Algés.
A Workshop reuniu cerca de 120 participantes de diversas áreas incluindo entidades governamentais, empresas, associações, institutos, universidades, estudantes e interessados na área.
A intenção da WS foi a de contribuir para uma melhor compreensão científica e técnica sobre a seca. Foram efectuadas 15 apresentações nas várias vertentes relacionadas com o tema. As apresentações quer da WMO quer da UNCCD possibilitaram uma visão mais abrangente que foram de grande utilidade no desenrolar posterior da reunião.
A diversidade das palestras possibilitou uma visão muito alargada sobre o fenómeno das secas com diferentes perspectivas na sua abordagem, consoante a área em que os especialistas desenvolvem trabalhos, nomeadamente:
- A necessidade de desenvolvimento de políticas nacionais e regionais
- Gestão Europeia e Portuguesa de projectos sobre a seca
- Monitorização da seca nos dias de hoje
- Variabilidade da seca, alterações climáticas e cenários
- Impacto da seca em diferentes campos sócio-económicos como recursos hídricos, agricultura e desertificação
No final da WS, promoveu-se uma discussão alargada com os presentes na sala, moderada por um painel de especialistas constituída por representantes institucionais e elementos seleccionados.
Painel de Discussão
Pretendeu-se no fecho da Workshop Drought in a Changing Climate – An Overview promover uma discussão com o objectivo de um melhor conhecimento dos diferentes problemas em análise, ligados a um campo vastíssimo, como é o caso das secas considerando as alterações dos padrões das secas, impactos das alterações no Clima, na vegetação, etc.
Dois dos elementos convidados para a mesa, fizeram curtíssimas apresentações de casos que seleccionaram e destinados a promover a discussão, nomeadamente, uma apresentação que versou a barragem do Alqueva e o seu potencial impacto nas condições meteorológicas da região e uma outra que versou a capacidade de monitorizar a seca recorrendo à observação remota. Durante a discussão intervieram muitos participantes que foram abordando diferentes assuntos de entre os quais se realçam:
- A possibilidade de ter sido possível a realização deste encontro. Em discussão entre diversos participantes numa conferência realizada em Brasília, surgiu como importante estabelecer uma ponte com Portugal, por forma a partilhar objectivos, ideias e experiências. O facto da APMG se ter mostrado interessada na organização, permitiu a realização deste evento, com a participação de representantes da OMM (José Camacho) e da UNCCD (Jamal Annagylyjova).
- A oportunidade para Portugal constituir um Centro Temático para a Seca, localizado em Portugal abrangendo a Europa Ocidental e, eventualmente também o Norte de África. Existe já em Portugal um Observatório de Seca no IPMA, com responsabilidades apenas Nacionais e na área da Meteorologia e um GPP (Gabinete de Planeamento e Políticas) que tem por missão apoiar a definição das linhas estratégicas, das prioridades e dos objectivos das políticas do MAMAOT. Orientações na área da seca são emanadas por este gabinete, onde deverão ser consideradas medidas tomadas sistematicamente (a seca não acaba quando começa a chover) bem como problemas ligados à irrigação e à necessidade de poupança de água.
- A necessidade de uma visão integrada sobre as questões ligadas à sustentabilidade como alterações climáticas, seca e desertificação, permitindo uma mais fácil tomada de decisões e evitando a diluição de responsabilidades tal como hoje acontece. Uma melhoria a introduzir na ligação entre diversas entidades responsáveis, iria favorecer a qualidade das decisões ao disponibilizar mais informação.
- Foi lembrada a necessidade de incluir numa gestão sustentada, a biodiversidade, modelos económicos e sociais e a possibilidade de uma melhor gestão de bacias hidrográficas.
- Foram lembradas algumas das limitações ainda existentes na modelação climática e algumas das conclusões do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change) e SIAM (Scenarios, Impacts and Adaptation Measures), entre outros, o efeito de estufa, a relação entre a libertação de CO2 e a subida da temperatura ou ainda a previsão de uma maior frequência de fenómenos climáticos extremos, com impactos adversos ou, nalguns casos, benéficos sobre os diversos sectores sócio-económicos e sistemas biofísicos sensíveis ao clima, tais como entre outros, episódios de precipitação intensa, concentrada em intervalos de tempo curtos, períodos de seca, etc.
- A selecção de zonas críticas na Europa, onde em particular, se destacam no quadro europeu, Portugal e Espanha, partilhando problemas semelhantes que deveriam ser abordados de forma similar e coordenada.
- Foi referida a importância dos seguros na actividade agrícola, nomeadamente no que diz respeito ao crédito agrícola e a seguros de colheitas, que necessitam de um bom conhecimento do clima.
- Foi lembrada a necessidade de alguma normalização de índices, conceitos e definições no campo dos indicadores de seca.
- Foi referida a importância da observação e da capacidade de disponibilização de séries tão longas quanto possível, sem interrupções e de qualidade. A observação é cara e representa em geral mais de 80% dos encargos na área da meteorologia. Deverá ser bem aproveitada, no sentido de ter utilização partilhada, porque apenas dessa forma será possível maximizar o seu aproveitamento. No entanto, a observação não pode ser adiada. Observação em falta não pode ser reposta pelo que é prioritária a sua garantia.